domingo, 1 de setembro de 2019

O BANDEIRANTE - nº 322 - SETEMBRO de 2019

O BANDEIRANTE - edição 322- Setembro de 2019

Editorial: 

Pizza Literárias

Se muitas vezes “tudo acaba em pizza” para a SOBRAMES São Paulo ela foi o começo e desde o início é sinônimo de agradável confraternização. 
Convém lembrar que em 16 de setembro de 1988 a SOBRAMES São Paulo foi fundada na Pizzaria Ilha de Cós, na Vila Clementino, incentivada pela regional do Rio de Janeiro. 
Em 20 de junho do ano seguinte, surgiu a primeira Pizza Literária e a partir de então reuniões mensais sucederam-se, consistindo em um dos atrativos paulistas quando os filiados e convidados se agregam para a deliciosa degustação e para apresentarem seus textos em versos e prosas.
O sucesso é tão grande que muitos sobramistas de outras regionais programam visitar a cidade de São Paulo em data que coincida com a da Pizza Literária para poder apreciá-la. Ela também inspirou encontros similares em outros estados. 
Reuniões ininterruptas, sempre na terceira quinta-feira de cada mês (salvo feriado).
Nem mesmo a triste surpresa ocorrida em 2004 foi motivo de interrupção.
Sim! Em abril daquele ano, ao chegarem na pizzaria Livorno, os sobramistas foram surpreendidos com o local lacrado por motivo de falência. Decepcionados, porém não desanimados, um grupo decidiu pelo menos jantar na pizzaria Bonde Paulista onde se descobriu um salão propício para continuar as reuniões.
E lá estamos comemorando neste mês de setembro 350 Pizzas Literárias sendo 186 no Bonde Paulista.
Por isso, este editorial é dedicado às Pizzas Literárias que descontraem, estimulam os escritos e revelam grandes talentos.
Um alimento para o corpo e para a alma...
Que assim continue...

Márcia Etelli Coelho
Presidente da Sobrames-SP

Leia a edição completa clicando no link a seguir:
O BANDEIRANTE - SETEMBRO 2019

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

VOLTEI

Por: Maria do Céu Coutinho Louzã
RELAÇÕES PÚBLICAS

De onde? Para onde? Perguntarão.
Havia escolhas. Muitas. Porém
Entre quantas se apresentaram,
Era muito difícil escolher.

Voltei com sérias promessas
De não mais me entristecer.
Olharia com atenção o sol nascer.
Com toda a luz na sua plenitude,
E também o seu poente divino,
Talvez  triste, quando se despede
Ao ver a noite se aproximar! 

Apreciaria melhor as chuvas cantantes
Que inundam de alegria minha alma. 
E todos os jardins agradecidos
Enfeitam-se de flores mais cedo.

Voltei mesmo sem perceber,
Que deixava para trás
Sonhos e desejos, os quais
Se desfizeram como nuvens 
Levadas por ventos ingratos.

Voltei a pensar que te encontraria
Novamente a me esperar todos os dias 
Naquela mesma praça silenciosa, 
Onde os pássaros em revoada
Buscavam no lindo arvoredo,
Abrigo ao anoitecer.

Mas não. Percebi que voltar 
Era somente um sonho. 
E eu triste vi, que só podia
Viver de sonhos irrealizáveis.

domingo, 25 de agosto de 2019

UMA MULHER VESTIDA DE BRANCO

Por: Wladimir do Carmo Porto
ECONOMIA

       Lá estava ela. No meio do salão. O som do triângulo, da zabumba e da sanfona ribombava, saindo das caixas de som.
      Vestida de branco, figura um tanto velha, desgastada pela vida. Entre as pregas da cintura, sobressaía uma barriga acentuada. Rosto impassível, distante, dançava com gestos lentos de mãos e pés. Talvez o peso da idade. O vestido rendado lembrava, vagamente, vestido de noiva. Era uma semi-noiva. Noiva da vida.
       Rodopiava, alheia ao ambiente. Sozi-nha. Era um universo apartado da vida circundante. Fazia com as mãos, gestos graciosos, acompanhando a música. Olhos semi-cerrados. Volteios e mais volteios. Era o centro do mundo. Seu mundo.
      Naquele isolamento e alheamento efême-ro, batia um coração, pulsante de aflições, nostalgia e esperanças. Transparecia plenitude, quietude, em paz consigo mesma.
      E ali estava ela, no meio da multidão, numa noite de São João. Ela e suas circuns-tâncias. Era uma mulher vestida de branco.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

MULHER, SER SUBLIME

Por: Alcione Alcântara Gonçalves
PSIQUIATRIA

A Mulher branca, de origem Europeia,
A Mulher negra, de origem Africana,
A Mulher amarela, de origem Asiática,
Com tez matizada, são Mulheres Glorificadas!

Mulher Asiática, Europeia ou Africana,
Tua força extrapola fronteiras Americanas!
De polo a polo neste Planeta,
Promoves miscigenação com seu gameta!

Mulher! Sol que nos esquenta!
Bendito Colo, que nos acalenta!
Seio Benigno, que nos alimenta!
Útero Protetor, que nos sustenta!

A Mulher é um ser divinal,
Que o SENHOR nos deixou,
Para completar este belo Casal!
Uniu-se ao Homem e a humanidade formou.

Mulher é sensibilidade e Amor!
Só tu podes o Homem gerar, 
Tornando-se MÃE deste SER milenar,
Que na DOR do parto, soubestes sublimar!

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

DOCE, COM AMOR

Por: Delfim Silva Pires
CARDIOLOGIA

       A história que vou contar provavelmente não é novidade e acredito que muitos de vocês já a conheçam.
E não tem importância o fato de ser uma história já conhecida, sua importância, para mim, decorre da maneira como a conheci.
Uma vez, há muito tempo atrás, no tempo em que eu era ainda criança, estávamos todos à mesa: meu pai, minha mãe e os filhos. Éramos seis filhos naquela época.
Minha mãe disse-nos: “Vou contar-lhes uma história”.
Éramos doidos por histórias, vivíamos pedindo que nos contasse histórias, rogávamos pelas suas histórias. Como éramos muitos filhos e todos pediam histórias, muito frequentemente ela nos contava histórias repetidas, então contávamos o final da história rapidamente, e dizíamos: — Tá vendo? Essa história já é velha, história repetida não vale.
Então imaginem vocês nossa curiosidade.
Imaginem. Nós nem havíamos pedido e ela se ofereceu para contar história, essa devia se mesmo das boas e novinha; não devíamos conhecê-la.
Ficamos todos em silêncio, para ouvir sua história. E ela começou assim:
“Havia uma família muito pobre e muito unida.
Certa vez, a mãe dessa família tendo um único pêssego, deu-o a filha caçula e disse:
Coma, só tenho esse, está bem maduro, e vai te fazer bem.
A menina guardou-o e, ao avistar o pai, deu-lhe o pêssego dizendo:
Pai, você deve estar cansado e eu guardei este pêssego para você.
Por sua vez o pai deu o pêssego para o filho, e o filho deu-o à mãe.
Então a mãe reuniu toda a família e disse:
— Hoje à tarde, dei um pêssego à Maria, ela guardou-o e deu ao pai, o pai deu-o ao Antônio, e o Antônio deu a mim. Portanto esse pêssego alimentou a todos, deu-nos muito amor, nós bem o merecemos. Assim sendo, repartiu entre todos”.
Estávamos todos embevecidos com a história e, ao mesmo tempo em que terminava a história, ela tirou uma pequena travessa do fogão, colocou-a sobre a mesa dizendo:
— Ganhei hoje este doce da vizinha, sei que ele é bem pouco para todos nós, mas é o que temos e, se vocês se lembrarem da história, perceberão que dá para todos e ainda há de sobrar para o resto de vossas vidas.
Passados tantos anos, ainda me lembro da travessa de doce, e ele me fez tão bem, que ainda hoje guardo seu gosto. Não podendo repartir o doce com vocês, reparto a história que tanto me emocionou.

sábado, 10 de agosto de 2019

MULHER 60 +

Por: Amália Percelman
CARDIOLOGIA
     
       Hoje comprei um body.
O que vem a ser isso?
Um modelador, um redutor de medidas, um traje para reposicionar certas estruturas, uma peça de roupa para mascarar imper-feições, como um culote indesejado, uma barriguinha teimosa.
  Via de regra é para esconder, poucas vezes para mostrar, raríssimas para expor. Pois comprei um body cheio de transparências e decotes para mostrar que posso agradar, nem que for a mim mesma, que tenho sensualidade, nem que for para o espelho, que me sinto segura, nem que for debaixo da roupa.
Me dei esse presente pois acho que mereço um bem que me faça sentir desejada. Um body, gotas do meu perfume predileto e pronta para ser feliz! 
Que importa se tenho 60 +? Perfeito ninguém é, o que faz a diferença é quem você é, o que pensa a respeito de si mesma, qual sua próxima meta e como vai se posicionar frente às adversidades. 
Com coragem para se mostrar? Por dentro e por fora?  
Vá em frente, se desnude.

domingo, 4 de agosto de 2019

UMA HISTÓRIA NASCIDA EM NOVEMBRO


Por: Alitta Guimarães Costa Reis
PSIQUIATRIA
 
       Ela era baixinha, bem educada. Cabelos grisalhos bem penteados, ondas mantidas com fixador, duas alianças no anular esquerdo, sorriso tímido encimando a gola branca com rendinhas, blusa azul clarinha, saia escura de lã cobrindo os joelhos, sapatos fechados de calcanhar bem estruturado, brinquinhos delicados como seu perfume, unhas cuidadas, sem esmalte. Uma “lady”. Estávamos na mesma repartição, esperando. Levantei-me para tomar café, perguntei se ela queria que eu trouxesse. “Não, minha filha”, disse ela, “gosto muito, mas meu médico me proibiu de tomar café”. Vim com meu café e me sentei, e logo conversávamos como velhas amigas. A conversa fluía tão fácil que fomos ficando entusiasmadas, encantadas com a descoberta de tanta afinidade. Após cerca de vinte e cinco minutos, ela foi chamada, levantou-se, me abraçou, deu-me um beijo no rosto e agradeceu muito, pedindo que Deus me aben-çoasse. Logo fui chamada também e nos perdemos uma da outra: eu gostaria de ter trocado pelo menos um número de telefone...
No outro ano precisei ir à repartição de novo, e o senhor que havia me atendido mais de uma vez pegou o telefone e disse: “Adivinha quem está aqui...” Logo chegou outro senhor, veio direto ao meu encontro e disse: “Eu queria agradecer o que fez pela minha mãe. Ela faleceu há meses, disse que a conheceu aqui e que vocês tiveram uma ótima conversa, uma das melhores que ela teve na vida. De que vocês tanto fala-ram?” Sinceramente, demorei um pouco para me lembrar do acontecido, mas logo me veio à mente a figura da bondosa senhora; da conver-sa não me recordei, para desapontamento do senhor. Ele disse que ela se lembrava de que eu gostava de café. Que queria que ele me entregasse uma coisa, mas ele ficou preocupado, porque era coisa usada e um pouco antiga. E se eu não gostasse? Mas ela insistiu, dizendo que eu era uma pessoa compreensiva e que iria entender direitinho o presente. “Ela me fez ver que a minha vida teve sentido”, ela contou, “foi realmente um encontro de almas irmãs”. Então ele guardou o presente e tentou me achar, mas do meu nome ela não se lembrava. Pela descrição conseguiu me localizar, e ficou esperando que eu voltasse. Disse que o presente não estava ali, se eu podia esperar. Não, não podia. Sugeri que enviasse pelos Correios. “Não é uma boa ideia”, ele disse. Fui chamada nova-mente por um funcionário da repartição, e depois procurei uma toalete. E nos desencontramos. Dois meses depois voltei, era horário de almoço, tinha que esperar e resolvi comer alguma coisa. Fui até a lanchonete mais próxi-ma. De repente eu ouvi: “Não saia daqui!”
Era ele, o mesmo senhor. Disse que voltaria em alguns minutos, o que realmente aconteceu. Tornou a agradecer, e me entregou uma bolsa novinha em folha, com um objeto dentro cheio de plásticos em volta para proteger. Tornou a pedir desculpas pela simplicidade do presente, e disse: “Minha mãe usou isso por vários anos, era especial para ela, presente de pessoa muito querida. Obrigada por deixá-la tão feliz”. Lágri-mas nos olhos, me abraçou e me deu um beijo no rosto, de forma exatamente igual a sua mãe havia feito no primeiro e último encontro que tivemos. E saiu, precipitadamente, como um homem que se recusava a ser visto chorando. Emocionada também, fiz uma breve oração para a mãe dele, enquanto começava a abrir a bolsa e afastar os plásticos. E lá estava o meu presente, que agora é usado orgulhosamente em minha cozinha: uma linda e bem conservada cafeteira.
_____
*Terceiro lugar no concurso de prosas da X Jornada Nacional da SOBRAMES e XV Jornada Médico-Literária Paulista (Agosto 2019 - SP) 

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

O BANDEIRANTE - nº 321 - AGOSTO de 2019

O BANDEIRANTE - edição 321 - Agosto de 2019

Editorial: 

Gratidão

O tema deste editorial não poderia ser outro: gratidão. Ao terminar a Jornada eu sinceramente me senti agradecida.
Agradecida por ter convivido um fim de semana de alto astral no aconchego de versos e prosas. 
Agradecida pelo dom de escrever e constatar que os talentosos amigos sobramistas também se aprimoram cada vez mais na arte literária.
Sessões literárias envolventes. Muitos textos fazendo nossos olhos brilharem. A cada página virada dos Anais, uma janela se abria e esquecíamos as preocupações do dia a dia para mergulharmos no universo que cada texto vinha nos conduzir.
Agradecida pelos inúmeros comentários positivos que recebi e pelo trabalho em equipe da comissão organizadora.  
Agradecida por reconhecer que cada sobramista inscrito também foi determinante para o sucesso da Jornada, criando um ambiente autenticamente fraterno.
Amizades que vencem distâncias. Rostos finalmente conhecidos, o que antes se limitavam às mensagens virtuais.
Harmonia de quem valoriza as afinidades e respeita as diferenças.
A vida é feita de momentos. E com certeza a Jornada registrou muitos momentos memo-ráveis. Voltamos para nossas atividades coti-dianas revigorados pela calorosa confraternização que a Jornada proporcionou.
Por tudo isso, hoje, ao escrever este editorial, meu coração se preenche de gratidão.
E eu me sinto plenamente agradecida.
Hoje e sempre... 

Márcia Etelli Coelho
Presidente da Sobrames-SP

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O BANDEIRANTE - AGOSTO 2019

quarta-feira, 31 de julho de 2019

A ONDA

Por: Josef Tock
OFTALMOLOGIA

A onda que quebra no mar
está prestes a se dobrar.
Eis a força que cresce,
e agiganta envolvendo nossos corações.

O vento que derruba as palmeiras
força as ondas gigantes
que devastam as orlas da praia
e do instinto humano.

O sol que seca a terra
transformando o solo em placas quebradiças, 
são sentimentos fragmentados,
a espera das ondas fluviais.

A lua que a noite nos ilumina
e faz as ondas subirem e aplainarem, 
molha a areia seca,
no espocar das ondas que se alevantam.

As quatro fases do dia
agora estão paradas,
acompanhando a fundo
e surfando o meu pensamento.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

À PROCURA DA VIDA IDEAL

Por: Nelson Jacintho
ORTOPEDIA

Saí na rua à procura
De uma vida ideal,
Vi o amor, vi a candura,
Vi todo bem, todo mal...

Vi o sorriso da criança,
Vi o abraço do amigo,
Vi o nascer da esperança
Nos olhos de um mendigo... 

Vi a pujança do forte,
E vi do velho a fraqueza,
Dinheiro comprando a sorte,
Ganância dando a pobreza...

Vi a alegria na chegada,
Tristeza, na despedida,
O carinho da amada,
O desprezo da perdida...

Vi a vida maculada,
O sofrimento, a agonia,
Vi a lágrima atrasada
No palhaço, que sorria...

Ao me olhar no espelho
À procura do meu eu,
Recebi grande conselho:
“Quem não plantou, não colheu...”

terça-feira, 23 de julho de 2019

AMOR PERFEITO

Por: Aldo Miletto
PSIQUIATRIA
(in memoriam)
1919 - 2008

Um mil, dois mil, três mil quilômetros distante, 
Estás mulher de mim tão longe, neste instante 
Mas meu pensar trafega rápido, qual som, 
Encurta o espaco e põe no teu, meu coração!

Proclamo, te amo, clamo com amor gigante 
Se minha voz não chega, a voz de Deus garante! 
Hás de vibrar, ao retumbar desta paixão 
E reviver, revivenciar essa emoção,

Que o tempo nunca apaga, quando nasce e cresce 
É assim que meu amor se eternizou no peito!
Se tropecei, caí, me levantei, parece,

Para não mais sofrer, não ser mais contrafeito 
E assim poder dizer, mais uma vez em prece: 
Querida, eu te amo tanto. És meu amor perfeito

quinta-feira, 18 de julho de 2019

BOTÕES

Por: Camilo André Mércio Xavier
ORTOPEDIA

Botões coloridos
Donos de encantos e segredos,
Se espalham nas quebradas da imaginação...

Esfuziantes e chamativos,
Me fazem lembrar:
Que eles não são ambíguos,
Nem contraditórios,
Estão posicionados para funcionar!

Como não se opõem à rotina
Abotoados aprisionam,
Soltos libertam.

Tiranos ou submissos,
Rápidos ou lentos,
Dependendo da ocasião,
Os olhos dos buracos dos botões,
Focam e revelam
O que se passa mais fundo...

domingo, 14 de julho de 2019

LINHA DO TEMPO

Por: Carlos José Benatti
GINECOLOGIA

Artobanus era um político em ascensão, pois diferentemente dos outros,  fazia reflexões sobre conceitos fundamentais da democracia.
– Odila, fico perplexo quando vejo pessoas totalmente incapazes de votar por ignorância de conhecimentos comezinhos, sociais e políticos. Como organizar um grupo competente e formar uma elite dirigente se não temos uma elite de eleitores? 
– Senador, os vários idiomas são um grande empecilho de entendimento entre os povos e as nações são criadas não por limites geográficos, mas justamente na fronteira de pessoas que falam línguas diferentes. Essa diversidade é que lhe deixa perplexo.
– Exatamente, Odila. Fico perplexo de não enxergar onde está a reserva moral da nação.
– Senador, nunca entendi bem o seguro-desemprego, pois basta se cadastrar para receber uma quantia razoável mensal, o difícil é o seguro–emprego, isto é, você colaborar para o engrandecimento da empresa para garantir seu emprego. Mas não fazer nada se transformou num excelente meio de ganhar tempo...
– Odila, a estratégia depende de metas bem definidas. Você que tem clarividência entende bem isso.  Não vê as coisas, mas as sente.
– Senador, acho que o problema das nações é o da justiça. Um dia desses fui ao cinema assistir a um filme chamado “Três enterros”, que fala bem dos equívocos das pessoas. Como é possível existir justiça com tanto equívoco?
– A justiça, Odila, é um suco saído de um liquidificador em que foram colocados verdades e mentiras. A propósito, Odila, dia destes vi sua foto no jornal  e  você estava muito bonita. Gostei da entrevista.
– Pessoa bonita não tem foto feia, senador.
O celular tocou, o senador pediu licença para atender e a seguir pediu licença para se retirar. Pagou e foi embora. Era a quarta vez que o senador vinha e em nenhuma delas ficou mais de cinco minutos. Político só aparece quando a gente chama, pensou jocosamente Odila...
          Do livro “Os segredos da Cartomante”

quinta-feira, 11 de julho de 2019

COLOMBO E A FITA ADESIVA


Por: Guaracy Lourenço da Costa
CIRURGIA PLÁSTICA
(in memoriam)
1935 - 2018

Cristóvão Colombo nasceu num dos vales de Gênova, na Itália e, junto com seu irmão Bartolomeu, gostava da navegação. Foi nesse gosto que ele procurou os Reis Católicos da Espanha para expor seu plano de descobrir novas terras no ocidente e depois partir para a libertação de Jerusalém.
Descobriu a América e foi festejado na Espanha ao retornar, recebendo do Rei os títulos de Almirante e de Vice-Rei. Ficou por ali uns tempos, sem imaginar que a espanholada do povo estava com inveja e com raiva dele.
Certa tarde de sábado, ele estava numa taberna jogando caxangá, quando entraram uns 15 a 20 pescadores que o rodearam de forma zombeteira. Um deles, mais ousado, disse a Colombo: “Não queira você dar uma de gostoso aqui no país que nem é seu; você não fez nada de especial, a América já estava lá e qualquer um que fosse praqueles lados a descobriria, não precisava ser você, tá?”
O experiente Colombo estava com 72 anos na época e não iria querer enfrentar os pescadores no braço. Pediu ao dono da cantina um ovo cozido e perguntou aos pescadores quem seria capaz de colocá-lo de pé sobre a ponta mais fina.
Ninguém conseguiu, Colombo colocou o ovo em pé da forma que todos sabem e o ofensor retrucou: “desse jeito qualquer um coloca o ovo em pé!”  Colombo virou-se pra ele e disse calmamente: “Pois é fácil depois de ver como eu fiz; agora que já descobri a América, até um pescador como qualquer um de vocês já sabe que, navegando para o leste, encontrará as terras que achei... Se me dão licença, tenho um compromisso com meu amigo Américo Vespúcio; logo vocês irão saber de novas descobertas que faremos; Adeus!”
A história do ovo é clássica para significar descobertas que, depois de consumadas, parecem simples. O Dicionário do Aurélio assim define: “Ovo de Colombo é uma coisa fácil de realizar,  mas em que não se pensou antes de vê-la realizada por outra pessoa.”
Entre nós Médicos, há milhares de descobertas que se enquadram no rol dos ovos de Colombo: técnicas cirúrgicas, novos medicamentos, novas síndromes, vacinas, até anti-sépticos.
Há dois ovos de Colombo da Medicina que aprecio muito. O primeiro é aquele lance de encher uma luva cirúrgica com água, amarrá-la e colocar debaixo dos calcanhares de pacientes em coma para evitar escaras ali.
Na década de setenta, li numa revista sobre um ovo de Colombo que havia sido idealizado, destinado ao diagnóstico dos oxiúros.
Como todos sabem, os oxiúros são pequenos vermes semelhantes a pequenos fios de linha, cujas larvas descem ao ânus durante a noite e começam a pinicar. Às vezes descem também durante o dia, causando um vexaminoso prurido.  
Quando o paciente vê os vermes adultos saírem nas fezes, ele conta pro Médico e já recebe a receita cabível. O problema está no diagnóstico dos oxiúros para aqueles que somente têm a bandida da coceira anal.
O que li na revista foi para  diagnosticar os casos só de coceira:   De manhã, antes de fazer a higiene, o paciente pega um pedaço de fita adesiva tipo Durex, encosta no ânus e gruda em seguida numa lâmina de microscópio. No laboratório, os técnicos vão ver se encontram  larvas de oxiúros  na fita e está feito o diagnóstico.
Naquela época, fui num sábado à tarde visitar um casal de amigos na Vila Xavier, em Araraquara.  Daí a pouco,  apareceu por lá um jovem de vinte e poucos anos que estava namorando a filha do casal. Quando ele saiu, ouvi a mãe dizer pra filha, enquanto me fazia um cafezinho: “Larga mão de namorar esse cara, ele não tira a mão do fiofó, só coça, só coça, que coisa horrível!”
Fiquei com dó do rapaz, cujos pais eu conhecia. Procurei por ele no dia seguinte e perguntei discretamente se ele tinha oxiúros. Moço simples, ele nem sabia o que era isto.
Expliquei-lhe sobre os referidos bichos e sobre o uso da fita adesiva. Dei a ele uma lâmina de microscópio, expliquei como colar e falei pra ele pôr o produto num saquinho, e me trazer, que eu levaria ao laboratório pra ele. 
Dois dias depois, ele me procurou para contar o que havia acontecido, meio rindo e meio sem graça.
Envergonhado, ele não havia contado pra ninguém da família sobre o exame esquisito que lhe havia mandado fazer.  De manhã, ele foi ao banheiro com o rolo de Durex, puxou um pedaço enorme e, com muito nojo, segurando numa ponta e na outra encostou-o pelo rego afora para colher as pretendidas larvas.
Antes de cortar o pedaço para colá-lo na lâmina de vidro, o telefone tocou e ele colou a ponta da fita na beirada da pia, deixando o rolo pendente.
A conversa levou alguns minutos. Quando ele retornou ao banheiro, não viu mais o rolo da fita adesiva. Esquecendo-se do segredo que estava mantendo, ele começou a gritar pela casa: “Onde estão meus oxiúros? Onde estão meus oxiúros?”  A mãe dele veio correndo e ele consertou a frase perguntando pela fita adesiva. A mãe respondeu: “Acho que sua irmã colocou na gaveta da escrivaninha; hoje é aniversário do Jorginho, namorado dela; vi ela agora há pouco embrulhando o presente dele...”  
Disse-me o jovem ao final: “Pois é, Doutor Guaracy, se eu tinha esse tal de oxiúros nas tripas, já tô livre deles porque eles foram tudo lá pra casa do Jorginho...”


terça-feira, 9 de julho de 2019

CADA COISA EM SEU LUGAR


Por: Marcos Gimenes Salun
JORNALISMO

        Há algum tempo atrás ainda não havia sido inventado o poder. Em consequência, certas atitudes também não haviam se manifestado. Nem sequer haviam sido concebidas as coisas vivas e possíveis candidatas ao poder. Naquela ocasião só havia o verbo e o verbo era Deus, e isso era bom... Mas deve ter sido muito monótono esse período, pois foi quando Deus, que naquela época já tinha a designação de Todo-poderoso, resolveu dar uma agitada no seu pedaço e começou a criar as coisas.
       Em sete dias apenas, coisa que até hoje se tenta imitar sem qualquer perspectiva de sucesso, Deus construiu sua obra mais complexa. Foi fazendo logo o céu e a terra, o dia e a noite, tudo no primeiro dia. Daí, no dia seguinte, tingiu um tanto de sua vontade de azul bem profundo e chamou essa invenção de firmamento, separando as águas que já havia criado. Depois fez um donwsizing e deu uma organizada entre água e terra, separando cada parte no seu lugar, o que era seco separado do que era molhado. A seguir, como tinha boas ideias ecologistas, semeou a terra toda, para que ficasse verdinha, cheia de frutas e flores, de perfumes e beleza. E olha que ainda estava no terceiro dia de trabalho! 
      No quarto dia, Deus resolveu que sua criação ficaria muito mais bonita se colocasse algumas luzes nos lugares certos e não deu outra: criou estrelas e luzeiros e botou tudo lá no firmamento, pra iluminar a terra e dar uma certa ordem entre o dia e a noite, que andavam muito misturados até então. Pronto! Ficou supimpa, e o próprio Deus achou que era bom!
       Foi então que chegou a vez de povoar o ar e as águas com seres vivos, pois havia uma solidão muito grande naquilo que já estava feito. Peixes e seres das águas, pássaros e seres do ar, tudo isso Deus fez num dia só, o quinto de sua criação. Logo a seguir, no sexto dia, Deus colocou uma porção de animais na terra firme, coisa que ainda faltava. Até que...
       Bem... Até que chegou o sétimo dia e Deus criou o homem, à sua imagem e semelhança, para que a tudo isso dominasse. Daí pra frente, meu amigo, logo depois de Deus descansar, pois ninguém é de ferro, o homem começou a dar o ar de sua graça. Aprendeu certas malandragens, adquiriu ou herdou da serpente uma sem-vergonhice ou outra, foi ficando meio safo na coisa de ter sido indicado para ser o senhor do mundo que Deus havia criado. Foi então, meu velho, que a coisa começou a ficar preta...
         Com o fito de dominar animais, plantas, mares e céus, enfim, o que Deus tinha criado, o homem foi se arvorando de único dono daquela imensidão tão harmoniosa.  Foi quando a noção de poder, que até então era sabida exclusivamente por Deus, pois afinal de contas foi Ele quem criou tudo, começou a subir na cabeça da criatura.
       Desde então o homem, esse que devia ser somente a imagem e semelhança de seu criador, foi forjando malefícios e se utilizando de artimanhas escusas, concebendo situações de soberba e mesquinhez, sem quaisquer escrúpulos. E foi lapidando vaidades, alimentando egoísmos, semeando aleivosias, destruindo tudo o que o impedisse de atingir seu medíocre objetivo: obter o poder só pelo gostinho de obtê-lo. 
         Bem... Nestas alturas só resta algum exercício de lógica ou dedução: Deus não tem sido mais tão ostensivo no trabalho como em seus primeiros dias de criação; aparentemente só vem dando uma sábia e segura manutenção naquilo que já havia feito e que já tinha dado por completo na sua obra; com isso, é de se concluir que é bem capaz que qualquer dia desses Deus precise realizar uma intervenção um pouco mais rígida em todo o complexo de sua criação, só para colocar as coisas em seu devido lugar e dar seu recado: Afinal, quem é que manda no pedaço?

quarta-feira, 3 de julho de 2019

EM VOLTA DA MESA

        
Por: Sérgio Perazzo
PSIQUIATRIA

        Afinal de contas, se não era para rir, que serventia tem contar histórias em volta da mesa depois do jantar? Essa mesa, já centenária, de jacarandá maciço da Bahia, que guarda em si mesma tanto segredo e tanto folclore de família, um cofre-forte inviolável que se impõe pela simples presença constante e respeitável através dos muitos anos.
Ora mesa de banquetes, de casamentos, de natais, mesa de jogar banco imobiliário, de fazer o dever de casa no fim do dia caindo de sono, de sustentar ritmados solavancos de trem de ferro da  máquina de costura portátil, doces ocupações da vida, mediadas por um móvel de madeira de lei. Ora altar de novenas, ora mesa de velórios (por que não sua presença também na morte?), no tempo já tão antigo, em que os mortos tinham sua última estação no mundo dos vivos, antes da tão famosa morada eterna, velados na sala e encima da mesa.
Foi assim com Genoíno e com tia Abelarda. Ela morreu na casa tão de repente (lembra?), que as crianças pequenas foram tiradas pela janela para não enfrentarem a morta enco-lhidinha no meio do caixão e a decoração fúnebre que, como por encanto, emergiu da perua da funerária da Santa Casa, estacionada defronte da casa como ave de mau agouro.
Pois foi nesse mesmo velório do velho casarão que o irmãozinho mais novo, então com dois ou três aninhos, deslumbrado com as velas em torno da defunta, batia palminhas e cantava parabéns pra você na sua irresistível inocência. Um toque de humor involuntário que se tornou macabro no anedotário familiar. Uma tentativa de atenuar o gosto amargo da morte crua, per-sonificada, desta vez, pela tia Abelarda, bem no meio da sala de jantar, estirada na mesa de jacarandá, ofuscando os banquetes e os quitutes da vovó, dispostos em toalha de linho, prataria e porcelanas. Ramos de flores frescas em apanhados leves e gentis no lugar das coroas fúnebres de flores roxas asfixiadas e agonizantes.
Bem, mas não é para falar de coisas tristes, já chega o dia-a-dia com seus boletos,impostos e promissórias, essa inadimplência geral do mundo capitalista. Já chega isso. Duro é achar motivo para rir, essa agulha em monte de feno, essa raridade de hoje em dia. Já repararam que não se conta mais piada e quando se conta é piada velha? Pois é, estão assim as coisas. Tudo triste, sô, uma tristeza só. E dizer que quando o marceneiro escolheu o jacarandá para fazer aquela mesa, pensou nisso tudo, em tudo que essa mesa ia suportar, o encaixe perfeito, os pregos invisíveis, o melhor verniz fosco, os pés bem torneados, firmes e escarrapachados que nem eles.
Era assim, o avô na cabeceira de sus-pensórios e a camisa aberta por causa do calor, tio Chiquinho simplesmente, a primaiada de todas as bandas, sai pra lá cachorro, sai pra lá gato sonso, a travessa fumegante do ensopado da avó está chegando e aterrissando com música de rádio no fundo, uma espécie de trilha sonora. O ultimo delírio da tia Castorina falando com a parede da frente coisas engraçadas, a louca mansa da família, hoje ausentes, suas pegadas impressas no tapete e no assoalho brilhando de cera de carnaúba, deslizando com chinelo de feltro. 
Que quero dizer com isso? Que a vida é muito curta, que a vida é muito rápida? Isso todo mundo já sabe, não precisa tornar a dizer. Não precisa tomar tento. É só olhar em volta. O que ali estava, não está mais. E aquele enfeite novo, aquela jarra eu não conhecia, nem o bebê mais novo da família que, por sua vez, também me estranha. O computador ocupa um lugar de destaque, o trono real, bem no lugar do piano, há muito que foi vendido por quaisquer dez mil réis, de quebra as partituras de tangos e chorinhos, mas a mesa fica como guardiã dos séculos mais recentes e das coisas engraçadas arredondando as arestas do tempo.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

O BANDEIRANTE - nº 320 - JULHO de 2019


O BANDEIRANTE - edição 320 - julho de 2019

Editorial: 

Múltiplas escolhas

Um dos pontos mais aguardados em um conto ou romance é o momento em que o personagem precisa tomar uma decisão e escolher entre dois caminhos. Essa decisão determina sua futura trajetória enquanto outras inúmeras possibilidades são deixadas para trás.
Ao escrever, o autor necessita conti-nuamente escolher todas as variantes que compõem uma bela história: o ambiente, a época, as características dos personagens, além do drama em si.
Bem antes do programa da rede globo “Você Decide” (sucesso da década de 90), eu já gostava de imaginar como seria a continuação da última cena do capítulo das novelas que eu costumava assistir.
Em uma das Oficinas Literárias da Casa Mário de Andrade destacamos a importância das escolhas por parte do escritor e o quanto elas influenciam no sucesso de sua obra. E questionamos se o romance “Romeu e Julieta” teria tanto impacto se Shakespeare optasse por um final em que eles vivessem felizes para sempre.
Pensando nisso, a professora Geruza promoveu um exercício: ela leu um conto, parou no meio, e solicitou que nós escrevêssemos o final em no máximo 10 linhas. Curioso como cada um dos 20 participantes desenvolveu um desfecho totalmente diferente um do outro.
A cada três meses a Pizza Literária indica um tema como desafio para os sobramistas apresentarem. E eu fico agora pensando que aquele exercício talvez possa resultar em textos bem interessantes.
Mas isso... Vou deixar para que seja decidido na próxima reunião de diretoria...

Márcia Etelli Coelho
Presidente da Sobrames-SP

Leia a edição completa clicando no link a seguir:
O BANDEIRANTE - JULHO 2019

quinta-feira, 13 de junho de 2019

BORBOLETAS NO CAFÉ

Por: Evanir da Silva Carvalho
REUMATOLOGIA

Borboletas no café
Fazem-me voar,
A última lágrima destes anos,
De muitos planos, desenganos e solidão.
Aperte a minha mão, e cante aquela música
Não importa o tom; para mim já tá bom.
Nem se importe com o chão
Espalhe as cinzas pela casa
Incinere e nos dê asas
Para curtirmos a imaginação
E o êxtase de sermos amigos
Nesta vida...Doce e amarga canção.

terça-feira, 4 de junho de 2019

A PINTURA E O REENCONTRO

Por: José Hugo de Lins Pessoa
PEDIATRIA

Foram três longos anos. Pelo telefone avisei que chegaria em uma hora. Ela disse: quando chegar pode entrar, a porta da sala estará aberta, estou no escritório escrevendo um relatório. Ao entrar na sala, com uma garrafa de vinho nas mãos, imediatamente percebi o quadro pendurado na parede e parei para visualizar. De repente, ela aproximou-se, tão bela quanto antes, e disse: arte abstrata, é ver e sentir, não é? Respondi sim, a arte é para criar o resgate da emoção particular do observador, transcende as aparências exteriores da realidade, nos sugere ideias e sentimentos. Por definição, entende-se a arte abstrata como aquela que não representa objetos concretos da nossa realidade exterior. O formato tradicional, realismo, é deixado de lado na arte abstrata. Ver a pintura, não é para procurar uma simbologia escondida, resolver um “quebra-cabeça”. Existe liberdade tanto para o artista quanto para o observador. Temos liberdade para apreciar e interpretar a obra sob nossa própria visão. As cores falam e ouvem. Tudo depende de como você ouve e sente cada cor. O jogo das cores e das linhas.  As cores se engendram mutuamente, assimilação e diluição. Predomina o azul, que transmite calma, compreensão, lealdade, mas também tem um tom vermelho que mostra alguma excitação, provocação, sexo e perigo. Um pouco de branco, muito pouco, paz. Essa é a mágica da pintura, não é para descobrir uma “história” que o autor pintou. Cada dia que olharmos esse quadro podemos ter um sentimento diferente. É a vida que percebemos na arte que fala com nossa vida. Se você não encontrou, siga até uma obra que fale com você. Nesse momento, vejo, e até ouço, uma história nesse quadro. Esses traços, essas linhas que mudam de cor e se cruzam, lembram-me de imediato os caminhos da minha vida. Caminhos que andei algumas vezes sorrindo, outras chorando, ganhando e perdendo. Aprecio histórias, e como já contei a mim mesmo a história da minha vida tantas vezes, vejo esse quadro e digo, como no poema de Menotti del Picchia, “eu conheço essa voz / essa voz eu conheço”.  Nos abraçamos, sob os olhos da pintura.

sábado, 1 de junho de 2019

O BANDEIRANTE Nº 319 - JUNHO de 2019

O BANDEIRANTE - edição 319 - Junho de 2019

Editorial: 

Premiações

Esta edição de “O Bandeirante” con-templa as poesias vencedoras do Prêmio Bernardo de Oliveira Martins 2017-2018. Um prêmio significativo devido à alta qualidade dos textos apresentados nas Pizzas Literárias da SOBRAMES SP.
De certo, outros poemas poderiam estar classificados e seriam igualmente agraciados por mérito.
Pensando bem, diferente dos eventos esportivos em que os competidores são adversários, a cada página escrita todos nós nos tornamos vencedores. Vencemos quando superamos bloqueios e expressamos nossos autênticos pensamentos. Vencemos quando um verso transmite uma profunda emoção outrora contida.
Vencemos quando, depois de muitos rabiscos, alcançamos a frase exata que a prosa solicita. Vencemos quando dedicamos nosso escasso tempo para simplesmente compartilhar.
Mesmo quem diz “não ligar para prêmio”, sente-se envaidecido ao receber uma honraria que pode até vir além das formas tradicionais de medalha, troféu ou certificados. Por vezes, um elogio sincero já preenche a necessidade humana de recompensa.
Aplausos efusivos? Sim, são sempre bem-vindos! Eu, particularmente, considero que, no fundo, a maior premiação para um escritor é perceber que seu texto desperta um brilho no olhar de quem o lê.
E o que hoje me alegra é que, ao se aproximar a Jornada SOBRAMES, os textos inscritos prenunciam sessões literárias “brilhantes”.
Textos com temas e estilos diversos, sensíveis e reflexivos... Vencedores... Com certeza... Todos... Vencedores...  Afinal, o próprio dom de escrever já é um grande prêmio, não é mesmo?

Márcia Etelli Coelho
Presidente da Sobrames-SP

Leia a edição completa clicando no link a seguir:
O BANDEIRANTE - JUNHO 2019

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